Editorial
Por que Bojador: uma revista que nasce para passar o cabo
Durante séculos, um cabo na costa africana marcou o fim do mundo conhecido. Em 1434, um navegador português passou dele e voltou.
Na costa ocidental da África existe um cabo que, durante gerações, os navegadores se recusaram a ultrapassar. Diziam que ali o mar fervia, que as correntes arrastavam os barcos para o abismo, que dali ninguém voltava. Era o limite do mundo conhecido. O Bojador.
Por anos, expedições chegaram perto e deram meia-volta. Navios e marinheiros havia. O que pesava era a ideia de que existiam lugares aonde não se devia ir.
Em 1434, depois de uma primeira tentativa frustrada, o navegador português Gil Eanes contornou o cabo e voltou para contar. Do outro lado não havia monstros. Havia mais mar, mais costa e um mundo inteiro por descobrir. O medo, descobriu-se, era maior do que o obstáculo.
O nosso cabo
Todo tempo tem os seus cabos Bojador: assuntos que ninguém quer tocar e perguntas que incomodam quem tem poder. O jornalismo que só navega perto da costa não chega a eles.
Esta revista nasce para ir até lá e voltar com os fatos.
Como vamos trabalhar
Nenhum partido, governo ou anunciante vai decidir o que publicamos. Toda informação será checada antes de chegar a você, e quando errarmos a correção aparecerá no próprio texto, com data. Reportagem e opinião ficarão sempre separadas, e opinião terá sempre assinatura.
As reportagens da primeira edição estão em apuração. Obrigado por estar aqui desde o começo.