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O Bojador

Editorial

Por que Bojador: uma revista que nasce para passar o cabo

Durante séculos, um cabo na costa africana marcou o fim do mundo conhecido. Em 1434, um navegador português passou dele e voltou.

Da Redação 1 min de leitura
A costa africana numa carta portuguesa do século 16. O cabo Bojador fica ao sul das Canárias, na costa do atual Saara Ocidental. Carta náutica do Atlântico, c. 1550, atribuída a Jorge Reinel. Biblioteca Nacional da França, domínio público.

Na costa ocidental da África existe um cabo que, durante gerações, os navegadores se recusaram a ultrapassar. Diziam que ali o mar fervia, que as correntes arrastavam os barcos para o abismo, que dali ninguém voltava. Era o limite do mundo conhecido. O Bojador.

Por anos, expedições chegaram perto e deram meia-volta. Navios e marinheiros havia. O que pesava era a ideia de que existiam lugares aonde não se devia ir.

Em 1434, depois de uma primeira tentativa frustrada, o navegador português Gil Eanes contornou o cabo e voltou para contar. Do outro lado não havia monstros. Havia mais mar, mais costa e um mundo inteiro por descobrir. O medo, descobriu-se, era maior do que o obstáculo.

O nosso cabo

Todo tempo tem os seus cabos Bojador: assuntos que ninguém quer tocar e perguntas que incomodam quem tem poder. O jornalismo que só navega perto da costa não chega a eles.

Esta revista nasce para ir até lá e voltar com os fatos.

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As reportagens da primeira edição estão em apuração. Obrigado por estar aqui desde o começo.